Quarta-feira, Março 14, 2012

(Des)agradar



Um dia decidi que só ia fazer as coisas que me agradam e não ia ficar por aí tentando agradar ninguém. Foi neste dia que descobri que sou mais feliz me agradando do que tentando agradar os outros.

Não preciso fazer o que as pessoas querem. Tenho que fazer o que eu quero. Só saio se quero sair, só vou aonde quero ir, só faço o que quero fazer. Detesto quando alguém tenta me impor as coisas.

Aprendi a dizer não, e isso foi muito difícil. Mas não posso e não quero sair para agradar alguém, fazer algo para agradar alguém, ter atitudes para agradar alguém. Um dia um amigo me chamou para sairmos e depois perguntou se tinha atrapalhado alguma coisa. Respondi: "Você não me conhece? Se eu não pudesse sair com você, eu diria. Eu sai porque eu quis, não foi só porque você me convidou."

Claro que me importam as pessoas e os lugares para onde eu vou. Vou por elas e com elas, mas só vou se posso ir. Não vou porque alguém quer que eu vá. Ninguém me obriga a nada. Odeio pessoas infantis que ficam fazendo bico se não faço isso ou aquilo. Odeio gente que tenta impor as coisas. Odeio que mandem em mim. Sai de casa faz tempo e nem minha mãe tem esse poder na minha vida.

Eu pago minhas contas, sou dona das minhas dívidas, tenho as amizades que escolhi, falo com quem eu quero e faço o que bem entender da minha vida. Então nem adianta tentar me obrigar a nada. Eu só vou te desagradar. E só vou resolver agradar você se, antes de tudo, estiver me agradando também.


Janaina Pereira

Sexta-feira, Março 09, 2012

Idas e vindas


É incrível como existem épocas em nossas vidas que determinadas pessoas são muito importantes. Eu diria até que são fundamentais. Parece que nada funciona e o mundo não existe se elas não estiverem por perto. Por causa dessas pessoas a gente é capaz de qualquer coisa: são amigos leais, amores arrebatadores, gente que nos ajuda e nos apoia, que estão ao nosso lado quando precisamos. Mas isso são fases. Quando aquele determinado momento passa … as pessoas se vão. Levam consigo momentos de vida importantes, deixam lembranças. Mas não permanecem porque a função delas era acrescentar alguma coisa a uma fase de nossas vidas. A fase acaba, o ciclo se fecha, as pessoas se vão.

Quantos amores inesquecíveis você já teve ? E quantos melhores amigos já passaram por você ? Quanta gente que naquele momento difícil era o ombro que você procurava, que naquela hora feliz era o abraço que você queria, que naquele instante único era o beijo avassalador… gente que se foi, que o vento levou, que o tempo apagou. Gente que ficou para trás.

O tempo, porém, enriquece algumas amizades e torna alguns amores eternos. A distância não é motivo para o afastamento e as diferenças não são razão para desencontros. Gostar de alguém que te admira é fácil. Difícil é gostar de alguém que difere de você em tudo. Os iguais se procuram, os opostos se atraem. Diversificar as amizades e os amores faz bem – o relacionamento com pessoas completamente diferentes de você só tem a acrescentar. Mas é necessário deixar o barco correr. Às vezes ele corre à deriva e nos leva a situações surpreendentes. E em outros casos damos rumo ao barco e tudo dá errado.

O importante é aproveitar cada minuto como um milagre; ele é realmente, não vai se repetir mais. Os elos vem e vão, as pessoas passam e algumas ficam. Viva o hoje porque o passado já se foi e amanhã talvez não exista. Aceite cada mão estendida e compreenda se aquele alguém que você tanto gostava se foi. Cada um segue seu rumo. Os amigos, os amados, os amores … cada um parte para seu destino. O caminho é um só. E por ele vão passar milhares de situações que fogem ao seu controle.

É por isso que eu digo: carpe diem. Aproveito o momento, curta a vida, viva o agora. Isso é tudo que importa. Se não ficar mais nada, as lembranças sempre existirão e elas são eternas. E como diz aquela canção dos Beatles, no final, o amor que você leva é igual ao amor que você faz.


Janaina Pereira

Segunda-feira, Fevereiro 27, 2012

Obrigada, Meryl Streep


Meryl Streep ganhou, finalmente, seu terceiro Oscar. Incrível como a atriz, recordista de indicações da Academia, conquistou o mundo com seu talento, só reconhecido depois da maturidade. Sim, você talvez seja jovem demais para lembrar que, um dia, Meryl Streep foi criticada em Hollywood.

Quando a atriz de nariz grande surgiu no final dos anos 1970, como a mãe desnaturada do drama familiar Kramer x Kramer, Streep teve seu talento questionado. Vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante em 1980, ganharia como melhor atriz em 1983 por outro drama familiar, A Escolha de Sofia. A partir dali virou queridinha do Oscar, recebendo indicações com frequência mas nunca conquistando a crítica. Era um tal de "Meryl Streep é feia", "Meryl Streep não tem esse talento todo", e por aí vai. Ela era uma espécie de Regina Duarte dos americanos: a namoradinha da América, mas sempre sendo alfinetada.

Nos anos 1980 Streep travou um duelo com Glenn Close, outra atriz fantástica que nunca teve valor para Hollywood. Sempre gostei muito das duas, e sempre achei Streep uma atriz fora dos padrões americanos: ela nunca fazia papel de bonitona nos filmes. Era sempre a mãe sofrida, a mulher desamparada, a dona de casa em busca de um grande amor. Nos anos 1990 a atriz começou a dar novo rumo à sua carreira, fazendo comédia e estrelando aquele que, na minha modesta opinião, é um dos filmes românticos mais lindos de todos os tempos: As pontes de Madison, do Clint Eastwood. Madura, Meryl, que nunca foi bela, deixava seu rosto marcante à mercê do cinema.

Mas foi nos anos 2000 que veio a virada. Com O Diabo Veste Prada, fazendo a arrogante Miranda e assumindo os cabelos brancos, a atriz conquistou público e crítica e virou preferência mundial. A velhice chegou, as rugas também, e com elas uma dignidade poucas vezes vista na telona. Meryl Streep virou a maior estrela do cinema americano, disputada para papéis toscos como a mãe cantante de Mamma Mia! ou papéis ótimos como a dona de casa que revolucionou a cozinha em Julia & Julia.

Tudo que Meryl Streep fazia virava ouro: o filme podia ser ruim, mas ela brilhava. Foi assim em A Dama de Ferro, filme medíocre sobre a ex-primeira ministra britânica Margareth Tatcher. A representação de Meryl é incrível: perfeito sotaque, perfeita caracterização, perfeita atuação. Talvez premiá-la por um filme tão meia-boca seja um desperdício - ela ganharia de algum jeito, algum dia - mas já estava ficando chato indicar Meryl e não premiar.

Tive a oportunidade de conhecer Meryl Streep no Festival de Berlim deste ano. Faz apenas algumas semanas e sim, eu fiquei emocionada. Detesto essa coisa de 'jornalista não pode ser fã', me desculpem, mas sou fã de Meryl desde que o mundo rejeitava ela. Vi todos os seus filmes, arrastava minha mãe para o cinema para ver o filmes de Meryl e hoje mamãe é tão fã de Meryl como eu. E que bom, que bom que eu a conheci em um momento tão especial, na plenitude de seus 62 anos, inteira, divertida, apaixonada pela profissão de atriz.

Todo mundo já sabe que eu fiquei encantada com a Glenn Close quando a conheci: Glenn é fofa, querida, meiga. Meryl é divertida, leve, descontraída. As duas são tão imensas na telona, tão grandes, tão especiais, que eu queria que o Oscar fosse dividido! Mas Meryl levou, e lá no discurso mostrou que não esqueceu o seu passado, ao citar que via ali toda a sua a vida. Pois é, foi ali mesmo na cerimônia do Oscar que o mito Meryl Streep foi criado, mesmo que, durante muitos anos, suas indicações ao prêmio tenham sido questionadas.

E hoje Meryl é unanimidade, Meryl é o que resta do lado 'diva' de Hollywood. Meryl é digna demais, e por isso não levo em consideração esse 'oba-oba' em torno do nome dela, uma idolatria recente. Para mim o que fica é saber que, quando eu era criança, vi Kramer x Kramer e a odiei muito por ter largado o filho, e desde então ela desperta em mim o amor e o ódio por causa de seus personagens.

E eu sou muito grata por ter conhecido Meryl Streep, e talvez agora nada mais faça sentido. Vai ser muito difícil outro artista superar esse orgulho que sinto agora, de poder dizer ao mundo: eu conheço Meryl Streep.

Como diz meu amigo David, estou fazendo história... a minha história. E é muito bom saber que Meryl Streep faz parte dela.




Janaina Pereira

Terça-feira, Fevereiro 14, 2012

O mundo não fala inglês



É um erro grotesco achar que o mundo fala inglês. Se você quer falar inglês, vá a países cujas línguas nativas são o inglês, como os EUA e a Inglaterra. Mas, pior do que a maioria achar que o mundo fala inglês, é quando as pessoas ficam chocadas com quem não fala. Acho perfeitamente normal os alemães falarem alemão, os holandeses falarem holandês, os italianos falarem italiano e os espanhóis falarem espanhol. Por que deveria ser diferente?

Sempre gostei da Itália e da Espanha porque, além da cultura, a facilidade da língua me agrada. Estar em Berlim, fora do Festival de Cinema, é uma experiência assustadora, já que as pessoas não falam inglês e a comunicação é complicada. Mas, ao contrário dos franceses, os alemães tentam se comunicar, são educados e procuram ajudar, mesmo que por mímicas e sinais.

A comunicação primata, que a princípio parece ridícula, acabou me mostrando que eu consigo ter muito mais jogo de cintura do que poderia imaginar. Foram vários momentos difíceis, mas em nenhum deles eu me desesperei. O que ficou para mim dessa experiência é que, por questão de educação, é bom saber minimamente o idioma local. Se esforce. Tente pelo menos dar 'bom dia' e 'obrigado' na língua do país em que você está.

Os estrangeiros aprendem o português - que não é um idioma fácil - por que a gente não pode aprender a língua deles? Além de educação, é uma questão de simpatia. E ser simpático e educado na terra dos outros já é meio caminho andado para não ficar - literalmente - perdido.


Janaina Pereira

Quinta-feira, Fevereiro 09, 2012

Pílulas


Para onde quer que fores, vai todo, leva junto teu coração. (Confúcio)

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Nem a estação, nem a viagem. A poesia, meu irmão, é a paisagem. (Mário Prata)


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Costumo responder, normalmente, a quem me pergunta a razão das minhas viagens: que sei muito bem daquilo que fujo, e não aquilo que procuro. (Michel Eyquem de Montaigne)


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Pior do que não terminar uma viagem é nunca partir. (Amyr Klink)

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2012

She Will Be Loved

Maroon 5


Beauty queen of only eighteen, she
had some trouble with herself
He was always there to help her, she
always belonged to someone else

I drove for miles and miles
And wound up at your door
I've had you so many times
But somehow, I want more

I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay a while
And she will be loved - 2X.

Tap on my window, knock on my door
I want to make you feel beautiful
I know I tend to get so insecure
It doesn't matter anymore

It's not always rainbows and butterflies
It's compromise that moves us along
My heart is full and my door's always open
You can come anytime you want

I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay a while
And she will be loved - 4X

I know where you hide
Alone in your car
Know all of the things that make you who you are
I know that goodbye means nothing at all
Comes back and begs me to catch her every time she falls

Tap on my window, knock on my door
I want to make you feel beautiful

I don't mind spending every day
Out on your corner in the pouring rain, oh
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay a while
And she will be loved - 4X

Please don't try so hard to say goodbye

Sábado, Fevereiro 04, 2012

11


Hoje completo 11 anos morando em São Paulo. E chegou aquele momento em que eu ja não tenho mais nada a dizer, faz parte da minha vida e pronto. Simples assim.


Janaina Pereira

Quinta-feira, Fevereiro 02, 2012

Partir, chegar



"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."


(Fernando Pessoa)

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2012

Censura


Eu me sinto censurada nas redes sociais. Sinto que as pessoas me vigiam e esperam que eu cometa algum deslize para tripudiarem em cima. Sinto que o tempo todo estão querendo saber se o suposto post que escrevi é para elas, se há uma mensagem subliminar ou se estarei comentando alguma gafe virtual. Um saco.

Eu não consigo escrever o que penso, muito menos o que sinto. Se escrevo algo mal humorado, sou acusada de ser uma pessoa infeliz; se escrevo algo triste sou acusada de ser depressiva, se escrevo algo que me deixa feliz, sou acusada de me auto-promover, ou de ser exibicionista. Se não posso dizer o que sinto ou o que penso, para que estou nas redes sociais então? Se não posso expor meu trabalho, para que serve o Facebook ou o Twitter?

Francamente, será que eu sou tão importante para o mundo a ponto das pessoas ficarem se preocupando com o que escrevo, o que penso e com quem estou me relacionando? fico realmente chateada com todo esse disse-me-disse das redes sociais, especialmente porque, toda vez que estou bem e expresso isso, vem alguém tentando me derrubar.

Eu tive um diretor de criação que dizia 'detesto pessoas felizes'. E como tem gente por ai assim! Gente que se incomoda tanto com a felicidade dos outros que faz questão de expressar isso.

Não aguento mais essa censura nas redes sociais, não aguento mais ter meus comentários sempre sendo alvo de críticas e suposições, como se fosse errado ser feliz ou ficar triste! Eu sou humana, eu tenho meus momentos bons e ruins, e se um facebook ou um twitter não servem para eu expressar isso, então acabou para mim!

Cansei dessa brincadeira.


Janaina Pereira

Domingo, Janeiro 29, 2012

Quem vem e quem vai


Eu tenho esse defeito de não ter paciência com as pessoas. Especialmente pessoas que não sabem o que querem da vida. Gente que hoje te ama e amanhã te odeia. Gente que hoje é sua amiga e amanhã não é mais - e não é porque acha que você fez alguma coisa, que você não sabe o que é, mas a pessoa acha que sabe e não te conta.

As pessoas são muito complicadas. Ou melhor, elas complicam tudo. Sei que sou uma amiga ausente, que infelizmente não tem o tempo que gostaria para sair com todos os meus amigos, mas estou longe de ser alguém indiferente às pessoas. Se uma pessoa que eu realmente gosto precisar de mim, estarei lá para ajudar. O que não admito é que falem mal de mim pelas costas, me detonem, queiram colocar palavras na minha boca e depois finjam que nada aconteceu.

Detesto gente hipócrita, e detesto gente que bajula o outro por achar que 'não pode brigar com tal pessoa porque ela é um bom contato'. Comigo esse tipo de gente se queima fácil. Eu sou muito legal, muito gente boa mesmo, mas não pisa mo meu calo. Não venha fingir ser o que não é, não tente me agradar para conseguir algo, não faça da minha amizade um joguinho que a pessoa me usa somente quando precisa. Eu não aceito isso. Tenho amigos sinceros e verdadeiros, que já demonstraram muitas vezes o quando gostam de mim. Portanto não preciso de gente que 'finge' gostar de mim só porque lhe convém.

Eu tenho esse defeito de não dar segunda chance às pessoas. Algumas eu até já dei a tal segunda chance, e elas foram lá e me sacanearam de novo. Eu não acredito que alguém que te magoa uma vez não fará isso de novo. Eu não acho que as pessoas mudam assim. Elas podem aparentemente mudar de atitude porque é conveniente. Daí quando não precisarem mais, vão jogar o outro fora de novo.

Cada vez mais eu seleciono com quem falo as coisas, quem eu devo realmente partilhar minha vida. Porque as decepções com os outros vem, de alguma forma, e com frequência. Porque no mundo de hoje o 'cada um por si' é cada vez mais habitual.

Eu sinto falta, de verdade, de algumas pessoas que eu julgava serem minhas amigas. Que eu gostava sicneramente, que eu tinha carinho, que eu curtia a companhia. Pessoas que, do nada, se viraram contra mim. Ok, eu não sou perfeita, mas será que fiz algo tão cruel a ponto de ser sacaneada?

Eu durmo tranquila e sigo meu caminho. E neste caminho, agora, só quero gente que goste de mim de verdade, que me queira bem, que realmente torce pela minha felicidade e pelo meu sucesso. Gente que não precisa tentar me agradar para amenizar alguma situação do passado, gente que não precisa falar mal de mim para outros - porque eu sempre vou saber, lógico - e depois na minha frente me trata como se nada tivesse acontecido.

Realmente eu não preciso de gente assim na minha vida. Fica a dica.


Janaina Pereira

Quarta-feira, Janeiro 25, 2012

Porque eu moro em São Paulo


Eu moro em São Paulo porque, entre outras coisas, a cidade me deu as oportunidades que eu precisava para ser quem eu queria ser. Sempre quis trabalhar, ser independente, dona do meu nariz arrebitado e, uau, foi São Paulo quem fez isso por mim.

É verdade que São Paulo me rejeitou, me olhou de lado, fez de tudo para me expulsar. A cidade implicava com minhas saias, minha cor, meu sotaque, minha alma carioca. Mas a cidade também percebeu que não ia conseguir mudar muito esse jeito, e me adotou assim mesmo.

Em São Paulo sou carioca. Mais carioca do que os cariocas acham que sou. Em São Paulo eu tenho nome, sobrenome, profissão, trabalho, voz e vez. Em São Paulo eu tenho a Gi, o David, a Wal, a Mari, o Edson, o Will, a Diana, o Fabinho, a Camilinha, a Fabi, tanta gente que me abraça, me apoia e, principalmente, não me julga.

Em São Paulo eu sou eu, eu sou mais eu, eu sou realmente quem eu queria ser. Eu São Paulo eu sou carioca. Por isso, Gotham, por me aturar, por me respeitar, e por me tornar uma pessoa melhor, eu te desejo feliz aniversário.


Janaina Pereira

Sexta-feira, Janeiro 20, 2012

Coisas que eu detesto


Há coisas na vida que eu não gosto mesmo. Não adianta, não é só uma questão de não gostar, é de não querer gostar. Não me permito gostar e não quero gostar mesmo, sabe?

Eu não gosto de dizer 'não' mas sou obrigada a fazer isso, de vez em quando. E vou enumerar tudo que não gosto. Ou quase tudo. Vamos lá.


1 - Não gosto de comida japonesa. Bem que eu tentei, mas não dá. Eu não gosto mesmo. Até como, mas não é algo que goste. Então eu não como, não me obrigo a isso, porque eu não vou gostar mesmo.


2 - Não gosto de Woody Allen. Chocado? Pois fique mesmo, eu tenho trauma de infância dele. Eu não vejo, e quando vejo eu não gosto. E acho que não gosto de propósito. Adoro não gostar dele.


3 - Não gosto de cozinhar. Eu só gosto de comer mesmo. E muito. Adoro comer. mas cozinhar, não. Eu cozinho porque preciso, mas se pudesse não cozinhava. Não gosto, não quero aprender e não vou aprender.


4 - Não gosto de cigarro. Odeio tanto ou mais que Woody. É algo que me incomoda e me irrita. Nada contra os fumantes, mas ... desculpem, cigarro fede.


5 - Não gosto de atrasos. Eu raramente me atraso, às vezes até acontece, mas odeio esperar. Odeio marcar e ficar lá, que nem tonta, esperando e esperando. Pontualidade - ou no máximo 15 minutos de atraso - é sinal de educação.


6 - Não gosto que me toquem. Gente que eu não tenho a menor intimidade vem me segurar, encostar em mim. Affe, é a morte. Odeio que me toquem. Se eu achar que devo ser tocada, eu vou demonstrar isso. Odeio homem que cumprimenta e coloca a mão na cintura, demonstrando intimidade. Odeio gente que fala encostando no outro. Odeio que pessoas com quem não tenho a menor afinidade coloquem os dedinhos em mim.


7 - Não gosto de acordar com telefone. Em casa desligo tudo. Celular, telefone fixo. Odeio acordar com barulho de telefone. Aliás, eu odeio telefone, celular então... é um mal necessário.


8 - Não gosto de fazer prova. Para que isso? Provar o que para quem? Detesto prova, da escola a Pós, passando pelos cursos de línguas, nunca gostei.


9 - Não gosto que se metam na minha vida. Ah, por que você não faz isso? Ou aquilo? Cuida da sua vida que eu cuido da minha. Até porque quem paga minhas contas sou eu.


10 - Não gosto de piadas. Se ninguém reparou, eu sou mal humorada. Sou chata, irônica e brava. Detesto piadinhas, de qualquer tipo. Não sou de levar as coisas na esportiva. Se eu estiver de bom humor, deixo passar. Caso contrário... prepare-se para uma resposta curta e bem grossa.




Janaina Pereira

Segunda-feira, Janeiro 16, 2012

Pílulas



“Levantar quem caiu, apoiar quem resiste.”

Walt Whitman


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“ Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo.”

Drummond


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"Eu não faço poesia porque sou poeta, mas para exercitar minha alma.”

Clarice Lispector


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“Amar sem esperar ser amado, sem esperar nada em troca.”

Chico Xavier

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“Não é que eu seja brilhante. Apenas fico com meus problemas por mais tempo.”

Einstein


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“A maioria dos homens vive em silencioso desespero.”


Thoreau

Quarta-feira, Janeiro 11, 2012

Desistir?


"Desistir? Eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério. É que tem mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça."


Cora Coralina

Sexta-feira, Janeiro 06, 2012

Daniel Piza


Um dos melhores jornalistas brasileiros faleceu no final do ano passado. Daniel Piza, 41 anos, era um desses raros talentos que sabia realmente o que escreve. Um de seus últimos textos estava longe de ser uma despedida, mas mostrou claramente o quanto o jornalismo brasileiro perdeu. Vale como reflexão para os dias de hoje, em que as pessoas se preocupam mais com os outros do que com si mesmas.

"Nesta época é comum ver, além das retrospectivas, os apelos piegas ao tal espírito natalino, abusos de expressões como “renovar esperanças”, previsões furadas de astrólogos, tarólogos e outros loucos, textos que lamentam onde estão os natais d’antanho, mensagens de boas festas com listas de virtudes.

Meu impulso é perguntar por que as pessoas não procuram ser assim o ano todo, e não apenas no solstício que foi apropriado pela religião e pelo folclore para se tornar uma data paradoxal em que se discursa sobre bons sentimentos enquanto se consome em ritmo febril; até mesmo os nacionalistas se calam diante do fato de que a festa não tem cara do calor de 34 graus. E então me ponho a pensar em como generosidade e respeito, para ficar só nesses dois itens, andam em falta nos tempos atuais, especialmente nas grandes cidades, e em como a tecnologia que deveria nos aproximar nos tem dispersado.

Mas lembro os Natais de infância, comparo com o dos meus filhos e as diferenças se tornam irrelevantes, porque os prazeres e as questões são muito parecidos. E os dias deliciosamente desocupados, desacelerados, convidam ao balanço do ano, ainda que tenha tido tantas tristezas em meu caso, e sem balanço não há avanço. Somos carne e pensamento, um não se dissocia do outro, e do mesmo modo o Natal é ficar feliz em dar e receber presentes, é ver as crianças alegres com o que ganham e pronto, sem místicas nem melancolias.

Lembro que meu avô nos levava em seu Opala, no banco da frente, câmbio atrás do volante, para procurar o Papai Noel. Olhávamos para o céu e achávamos que qualquer luzinha era a carruagem de renas. Quando voltávamos, ele já tinha passado e deixado os presentes sob a árvore. Um primo mais velho me disse: “Cheguei até a ver a perna dele saindo pela janela”. Eu devia ter uns oito anos e achei estranho; afinal, era só ter ficado ali que com certeza o veríamos, já que eu nunca tinha conhecido ninguém que não ganhasse presentes todo santo Natal. (Eu já estava acometido desta mania de descrença: antes de fazer 6 anos, na minha primeira viagem de avião, assim que ficamos acima das nuvens perguntei ao meu pai onde estavam os “anjinhos”. Não era ali que diziam que eles moravam?)

De qualquer modo, afora as comidas saborosamente calóricas, quase sempre o presente fazia a dita magia da noite. Digo “quase sempre” porque uma vez pedi um Piloto Campeão e ganhei uma Motocleta. Inconformado, reclamei: “Que Papai Noel burro!” Mas a Motocleta, espécie de triciclo evoluído, me divertiu muito mais ao descer a rampa do abacateiro na chácara que tínhamos. Ver o sorriso de filhos e sobrinhos é boa maneira de encerrar o ano, como o fecho de capítulo de um livro que ainda não terminou, e mesmo que não chegue a redimir o capítulo ruim.

Perdi minha mãe e, apesar das falas pseudo consoladoras do tipo “É a vida” (não, é a morte mesmo) e “Tudo vai ficar bem” (defina “bem”), a dor ganha intervalos, mas a ausência fica. Tive também uma decepção pessoal, que abalou minha confiança, me tirou alguns quilos, me fez ver de novo como nossos melhores esforços podem ser os mais injustiçados, como a ingenuidade é amiga da vaidade, como a efusão brasileira pode ocultar inveja ou egoísmo. Também não fico feliz ao pensar que para tantas pessoas uma experiência insubstituível como ter filhos pode ser vista como algo que “atrapalha” ou, pior, que justifica manter relacionamentos frios ou frustrantes, em vez de renová-los.

Mas terminei meu capítulo com páginas encorajadoras, confiante não apenas em ter superado a fase crítica, mas também em não ter deixado o desencantamento tomar conta. Aí está, se me permitem o toque natalino: não deixar o desencanto tomar conta é o melhor presente."



Obrigada pelas sábias palavras, Daniel. Sentiremos saudades.

Segunda-feira, Janeiro 02, 2012

What a Wonderful World

(Louis Armstrong)


I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
And I think to myself, what a wonderful world

I see skies so blue and clouds of white
The bright blessed days, the dark sacred night
And I think to myself, what a wonderful world

The colors of the rainbow, so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by
I see friends shaking hands, saying, "how do you do?"
They're really saying, "I love you"

I hear babies cry, I watch them grow
They'll learn much more, than I'll never know
And I think to myself, what a wonderful world

Yes, I think to myself, what a wonderful world

Sábado, Dezembro 31, 2011

2011/2012


E mais um ano chega ao fim. Faz tempo que não acho um ano ruim; para mim, desde 1989 - disparado o pior ano da minha vida até hoje - cada ano vem me acrescentando alguma coisa, e me tornando uma pessoa melhor.

Terei boas recordações de 2011, especialmente por quebrar uma regra na minha vida: eu, que nunca voltei aos lugares que mais gostei de conhecer, fui novamente a Barcelona e Veneza, e só por isso este ano já valeu.

Ter quebrado essa regra foi especialmente importante, e voltar a Barcelona e Veneza significou muito. Claro que todos os lugares por onde passei em minha viagem tiveram seu valor, e guardarei cada um deles em meu coração. Mas de tudo que vi e vivi, nada se compara a Roma: a cidade que me fez acreditar que isso é apenas o começo.

Então se começou em 2011 (na verdade começou em 2010 e 2011 já foi uma bela continuação), que continue em 2012. É tudo que espero e que desejo: um ano cheio de surpresas boas, inesquecíveis, felizes.

Então vamos lá, 2012, me surpreenda exatamente como 2011 fez. Seja bonzinho comigo. Me faça feliz. E me deixe continuar a seguir este caminho de quebrar regras e correr riscos.

Até já, 2012, com 366 dias - o ano é bissexto! - surpreendentemente incríveis!




Janaina Pereira

Sexta-feira, Dezembro 30, 2011

Receita de Ano Novo


(Carlos Drummond de Andrade)


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Quarta-feira, Dezembro 28, 2011

Wish You Were Here

(Pink Floyd)


So,
So you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

Did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here

Sábado, Dezembro 24, 2011

Aos meus amigos


Muita gente se diz meu amigo, mas amigo de verdade eu sei que tenho poucos. Amigo, sabe, aquele que torce, que deseja o bem, que se empolga e sofre junto, que responde email e torpedo, que até liga, que chora com as dores e sorri com as alegrias. Alguém em quem a gente confia. Confiança, algo tão
raro hoje, mas tão importante em qualquer relação.

Aos meus amigos de verdade, pessoas com quem eu posso contar realmente, tenho apenas uma coisa a dizer: na verdade o que vai acontecer em 2012 já nem importa, porque se a nossa amizade continuar, para mim será um grande presente.

E por estar ao meu lado em 2011 é que desejo para ti o dobro de alegrias que um dia você possa ter me desejado. E desejo mais: que Deus continue iluminando o teu caminho e, ainda que o tempo não nos faça ficarmos em contato sempre, que ele pelo menos não nos afaste nunca.

Feliz Natal a todos os meus amigos de verdade - e eles sabem quem são - e a todos os leitores do blog.



Janaina Pereira

Quinta-feira, Dezembro 22, 2011

Andar com fé


(Silvia Schmidt)



Andar com fé
é saber que cada dia é um recomeço,
é ter certeza que os milagres acontecem
e que os sonhos podem se realizar.

Andar com fé
é saber que temos asas invisíveis,
é fazer pedidos a estrelas cadentes
e abrir as mãos para o céu.

Andar com fé
é olhar sem temor
as portas do desconhecido,
ter a inocência dos olhos da criança,
a lealdade do cão,
a beleza da mão estendida
para dar e receber.

Andar com fé
é usar a força e a coragem
que habitam dentro de nós
quando tudo parece acabado.

Andar com fé
é saber que temos tudo a nosso favor,
é compartilhar as bênçãos multiplicadas,
é saber que sempre seremos surpreendidos
com presentes do Universo,
é a certeza que o melhor sempre acontece
e que tudo aquilo que almejamos
está totalmente ao nosso alcance.

Basta só Andar com Fé !

Sexta-feira, Dezembro 16, 2011

Ternura


(Vinícius de Moraes)


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

Sábado, Dezembro 10, 2011

10 coisas que fazem vocês se lembrarem de mim



Fico feliz quando meus amigos dizem que viram ou ouviram determinadas coisas, ou estiveram em determinados lugares, e lembraram de mim. Sou sempre associada a algo bom - ainda bem! Então fiz uma lista com as dez coisas que mais me caracterizam - e que vocês, meus amigos, inevitavelmente lembrarão de mim.


1 - Madonna

Todo mundo sabe que sou fã número zero dela. Adoro mesmo, ainda que não tenha todos os seus CDs, mas posso afirmar que conheço todas as suas músicas. Então se você ouvir uma música da Madonna, pode lembrar de mim que fico muito feliz.


2 - Veneza

A cidade, minah favorita no mundo, é referência na minah vida mesmo antes da minha visita a ela. Agora que já fui duas vezes lá, quem vê ou lê algo obre Veneza, inevitavelmente lembra de mim. Ainda bem!


3 - Vestidos

Se eu tiver que escolher minha roupa preferida, os vestidos ganham disparados. Então sempre que alguém vê um vestido colorido, florido, fofo, versátil, lembra de mim. Como já me disseram, eu combino com vestidos e eles sempre combinam comigo também!


4 - Pearl Jam

Bastou anunciar um show da banda em São Paulo este ano que recebi inúmeras mensagens de amigos falando que lembraram de mim. A minha paixão pelo Pearl Jam, intensificada com o show de 2005, acabou fazendo deles a banda da minha vida.


5 - Coxinha do Veloso

Não sou boa na cozinha, mas adoro comer, e as coxinhas do Veloso se tornaram uma espécie de 'dica culinária', afinal, sempre levo as pessoas queridas para comer as tais coxinhas - e todos adoram e lembram de mim por causa delas!


6 - Bradley Cooper

Posso fazer uma lista de atores bonitos, alguns até já vi pessoalmente, mas o Bradley, meu atual queridinho, virou o cara que quando todo mundo vê em um filme, lê uma fofoca, ou sabe qualquer coisa sobre ele, lembra de mim. Adoro!


7 - Rio

Uma ligação natural, claro, porque todo mundo sabe que amo minha cidade. Quem vai ao Rio sempre lembra de mim, e isso muito me orgulha.


8 - Festival de Cinema

Ainda que eu frequenta apenas alguns, qualquer festival de cinema virou uma associação direta à minha pessoa. Mesmo eu nunca tendo ido a Cannes, todo mundo acha que meu sonho é estar lá - e não é! Mas ok, me identifico com os festivais então podem lembrar de mim por causa deles também!


9 - Melissa

Não sou ligada em marcas, mas curto demais a Melissa. Sapatilhas são as minahs favoritas, mas qualquer modelo novo, ou mesmo uma promoção quando é lançada, a galera corre para me avisar. Acho fofo - as Melissas e os amigos me associando a elas.


10 - Unhas vermelhas

A moda pode ser unhas coloridas, mas eu sou tradcional: todo mundo sabe que eu curto unhas vermelhas. Até rola uma variação, com tons de rosa e vinho, ou um brilho prateado e dourado... mas o vermelho é imbatível.



Janaina Pereira

Quarta-feira, Dezembro 07, 2011

Mãos dadas

(Carlos Drummond de Andrade)


Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Domingo, Dezembro 04, 2011

O corpo fala



•A garganta dói quando não é possível comunicar as aflições;

•O estômago arde quando as raivas não conseguem sair;

•O diabetes invade quando a solidão dói;

•O corpo engorda quando a angústia toma conta;

•A dor de cabeça deprime quando as dúvidas aumentam;

•O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar;

•As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas;

•O peito aperta quando o orgulho escraviza;

•A pressão sobe quando o medo aprisiona;

E as suas dores caladas? Como elas falam no seu corpo?

Escolha bem quem pode lhe ajudar a organizar as ideias, harmonizar as
sensações e recuperar a alegria.


(o texto não é meu, mas caiu bem para os acontecimentos dos últimos dias.)

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