<$BlogRSDUrl$>

sexta-feira, novembro 17, 2017

Pec 181

O ano era 2006. Na entrevista de emprego para ser redatora do site de uma ONG pelos direitos da mulher, me perguntaram se eu era a favor do aborto. Minha resposta foi: depende. Essa resposta me fez conseguir o emprego que, tempos depois, me ajudou a enfrentar um ex-namorado que me ameaçou de morte; e me deu também a oportunidade de acompanhar de perto a aprovação da Lei Maria da Penha.

Dito isso, o meu 'depende' daquela época permanece até hoje - e ele foi dito por um motivo muito óbvio: a mulher tem o direito de abortar em caso de estupro. Eu sei que é uma vida que está ali, porém filhos devem ser frutos de amor, não de violência. Dar a mulher a chance de decidir se deve ou não ter esse filho é o mínimo que se pode fazer. Entendo que existe questões religiosas envolvidas, e não julgo ninguém, mas minha opinião permanece a mesma: estupro é crime, e ter um filho a partir de um ato violento como esse não pode fazer bem a ninguém.

segunda-feira, novembro 13, 2017

Eu apenas queria que você soubesse

Gonzaguinha


Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé

Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

quarta-feira, novembro 08, 2017

O ser normal


Curioso como as pessoas adoram ser descoladas para dizer que os outros são normais e ter regras é um saco. Assim fica difícil ter um ponto de vista diferente porque, afinal, o que é ser normal?

Parece que as pessoas ainda acham que ser normal é seguir o padrão pré-estabelecido da vida. Casar, ter filhos, comprar uma casa e um carro, ter um apartamento ou casa com varanda, viajar uma vez por ano para o exterior de férias, ganhar muito dinheiro e ter uma profissão de sucesso. É tipo nascer, crescer, morrer - todo mundo tem que passar por isso. Só que não! Claro que sim, vamos nascer, crescer e morrer, mas a parte intermediária nisso - viver - é cada um por si, e não com regras determinadas pelo mundo.

Aí se você não casa, não tem filhos, não comprou o carro e a casa você é infeliz. Coitado, é aquela pessoa largada, sem rumo, sem raízes. Ops, raízes! As pessoas ainda buscam raízes, querem fincar seu pés em um lugar e por lá ficar para sempre. Mas e se eu não quiser isso, sou anormal?

É chato quando alguém se diz independente e prega que faz isso e aquilo porque detesta regras. Ora bolas, regras são importantes. E eu não sou como sou para ser rebelde, ou para desafiar os outros: eu apenas fiz escolhas diferentes na vida.

Respeitar o outro - que escolher casar,ter filhos, etc e o que escolheu não fazer nada disso - deveria ser o princípio de tudo. Mas não é. A humanidade ainda precisa de muita evolução para entender que ser diferente do padrão não é ser anormal. Aliás, a palavra diferente nem deveria existir: seja você mesmo e que se dane o resto! Pronto, falei.

quarta-feira, outubro 25, 2017

Bullyng


Sofri bullyng na escola, em uma época que o problema não tinha esse nome. Sempre fui motivo de chacota dos (e das) coleguinhas, desde muito pequena. Era magra demais, dentuça e - o pior de tudo, para os outros - tinha cabelo crespo. A medida que crescia, a coisa piorava. Tanto que passei dos 10 aos 13 anos só usando cabelo preso, para evitar que os meninos jogassem bolinhas de papel no meu cabelo (sim, faziam isso e riam muito).

Também sofria por ser boa aluna, outro fato que me perseguiu até na faculdade. Aliás, na faculdade a coisa foi grotesca também. E quando fiz jornalismo, já depois dos 20 e antes dos 30 anos, e já morando em São Paulo, era discriminada por ser carioca. Sofri até bulyng virtual, quando descobri uma página fazendo chacota de mim. Isso não me tornou uma pessoa amargurada, mas certamente me deixou triste em muitos momentos. Eu me sentia inferiorizada, feia, só enxergava os meus defeitos. Pra ser sincera, em vários momentos da adolescência eu me achei a pessoa mais feia do mundo. E foi lá, na adolescência, que eu vi o quanto o se humano é perverso e cruel.

O que aconteceu em Goiânia é tão horrível quanto previsível. Os pais não enxergam e não entendem, os professores talvez ainda não saibam lidar com isso, e o resto do mundo ignora o bullyng. Ignoram o quanto ofender aquilo que você acha que é um 'defeito' do outro pode causar um transtorno enorme. Ainda sofro discriminação: por ser mulher; por não fazer isso ou aquilo para agradar os outros; por ser magra e por ter cabelos crespos. As coisas não mudaram, mas provavelmente eu mudei muito: podem me detonar o quanto quiserem, já faz tempo que me olho no espelho e aprendi o meu valor. Que, aliás, é muito maior por dentro do que por fora.

segunda-feira, outubro 23, 2017


If


I just wanted to see you, I didn´t want to know you. Because if I know you, know that you are imperfect, and so I will disappoint. (perfect dialogue of the movie Tyrannosaurus)

segunda-feira, outubro 16, 2017





Aquilo que nós fazemos é apenas uma gota no oceano, mas se não fizéssemos, o oceano teria uma gota a menos”. (Madre Tereza de Calcutá)

sexta-feira, setembro 29, 2017

Ovelha Negra

(Rita Lee)


Levava uma vida sossegada
Gostava de sombra
E água fresca
Meu Deus
Quanto tempo eu passei
Sem saber
Uh! Uh!

Foi quando meu pai me disse
"Filha, você é a Ovelha Negra
Da família"
Agora é hora de você assumir
Uh! Uh! E sumir!

Baby, baby
Não adianta chamar
Quando alguém está perdido
Procurando se encontrar
Baby, baby
Não vale a pena esperar
Oh! Não!
Tire isso da cabeça
E ponha o resto no lugar
Ah! Ah! Ah! Ah!
Tchu! Tchu! Tchu! Tchu!
Não!
Oh! Oh! Ah!
Tchu! Tchu! Ah! Ah!

Levava uma vida sossegada
Gostava de sombra
E água fresca
Meu Deus
Quanto tempo eu passei
Sem saber
Han! Han!

Foi quando meu pai me disse
"Filha, você é a Ovelha Negra
Da família"
Agora é hora de você assumir
Uh! Uh! E sumir!

Baby, baby
Não adianta chamar
Quando alguém está perdido
Procurando se encontrar
Baby, baby
Não vale a pena esperar
Oh! Não!
Tire isso da cabeça
E ponha o resto no lugar
Ah! Ah! Ah! Ah!
Tchu! Tchu! Tchu! Tchu!
Não!
(Ovelha Negra da Família!)
Tchu! Tchu! Tchu!
Não! Vai sumir!



segunda-feira, setembro 18, 2017

É isso

"Não cheguei aonde eu planejei ir. Cheguei, sem querer, aonde meu coração queria chegar, sem que eu o soubesse". (Rubem Alves)

terça-feira, setembro 12, 2017

Solidariedade


A tal da solidariedade anda em baixa. Ou as pessoas finfem que o outro não tem problema. Não sei o que dizer. Fico só observando. As atitudes, as palavras, a forma como os outros lidam com o problema alheio.

É uma fasedelicada, cheia de medo e complexos sentimentos. Tento ser forte, e tento não transparecer as dores e angústias. Aos que sabem, fico me perguntando porque tentar mudar o assunto ou culpar alguém pelo que acontece. Aos que não sabem, paciência, eu tenho meus motivos para não contar.

Apenas peço a Deus para colocar em meu caminho as pessoas certas, as conquistas que me pertencem, tudo aquilo que é meu e não pode ser de mais ninguém. E que o melhor aconteça, sempre, independente do que os outros falam, pensam ou julgam.

sexta-feira, setembro 08, 2017

Lema


"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e, principalmente, viver"  (Dalai Lama)

quarta-feira, agosto 30, 2017

Reza


(Rita Lee)



Deus me proteja da sua inveja
Deus me defenda da sua macumba
Deus me salve da sua praga
Deus me ajude da sua raiva
Deus me imunize do seu veneno

Deus me poupe do seu fim

Deus me proteja da sua inveja
Deus me defenda da sua macumba
Deus me salve da sua praga
Deus me ajude da sua raiva
Deus me imunize do seu veneno

Deus me poupe do seu fim

Deus me acompanhe
Deus me ampare
Deus me levante
Deus me dê força

Deus me perdoe por querer
Que Deus me livre e guarde de você

Deus me acompanhe
Deus me ampare
Deus me levante
Deus me dê força

Deus me perdoe por querer
Que Deus me livre e guarde de você

Deus me perdoe por querer
Que Deus me livre e guarde de você

Deus me livre e guarde de você
Deus me livre e guarde de você

terça-feira, agosto 15, 2017


Sempre vale

"Eu nunca disse que seria fácil, eu apenas disse que iria valer a pena." (Mae West)

segunda-feira, agosto 14, 2017

Eu


Por Martha Medeiros

Pessoas com vidas interessantes não têm fricote. Elas trocam de cidade. Sentem-se em casa em qualquer lugar. Investem em projetos sem garantia. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor e compram passagens só de ida...


quinta-feira, agosto 10, 2017

Envelheço na cidade


Com o inferno astral chegando ao fim, e o início de um novo ciclo, vou revelar um dos maiores mistérios da humanidade: como eu não envelheço e não engordo.

Pra começar, eu lavo roupa a mão porque a máquina de lavar pifou faz tempo. Ando de ônibus e metrô e só uso uber em último caso (ou seja, quando o horário do transporte público foi para o saco). Trabalho, embora muita gente ache que eu só viajo, vejo filmes e como. Eu mesma arrumo a minha casa. Faço minha comida, pago minhas contas, vou ao supermercado.

Ah, também faço minhas unhas. Ainda cuido dos problemas familiares porque sou a casca grossa - é tipo liga pra Jana que ela resolve. Mas acho que o principal mesmo é que não me vejo como os outros me veem: pra mim eu envelheço todos os dias, e engordei horrores nos últimos anos - mas emagreci tudo em seis meses graças aos problemas.

Enfim, eu levo uma vida de verdade. Não fico fazendo fofoca, xeretando a vida alheia, desejando o que o outro tem. Talvez esse seja o segredo: viver do jeito que dá, e o resto a gente vê como é que fica.

domingo, agosto 06, 2017

Inferno Astral


Aquele momento da vida em que tudo parece desabar sob seus pés, e você percebe o quanto as pessoas são insensíveis. Quando eu preciso de um apoio, um abraço, um aperto de mão, um carinho e um alento, e as pessoas só sabem criticar, ou fazem aquela vista grossa, ou então fingem estarem preocupadas, mas na real sabem que o problema não é delas, e apenas seu.

Solidariedade? Nossa, algo tão raro hoje. Até mesmo as palavras de conforto soam falsas. Ninguém entende a tristeza, e só sabem culpar o outro. Ficar remoendo o passado e o que podia ou não ser feito não adianta mais. Que tal apenas ouvir, absorver, apoiar e não emitir a sua opinião?

Estou tão triste, preocupada, aflita, nervosa, tensa, ansiosa, com medo, com culpa, com o coração apertado. Preciso tomar decisões certas, que não sejam precipitadas. Preciso resolver o problema mas também pensar a longo prazo. Preciso ter certeza no meio de um turbilhão.

E não tenho encontrado muitos gestos de amor. Só vejo e ouço conselhos infundados, críticas e um egoísmo sem fim. Que Deus me proteja desse mundo tão cruel e mesquinho, cheio de gente que cada vez mais só pensa em si. E que eu tenha forças e discernimento para buscar o melhor caminho, a melhor solução. E que, acima de tudo, a vontade de Deus prevaleça e me oriente de forma correta neste momento tão delicado.

quarta-feira, agosto 02, 2017

Mudam as perguntas


É aquilo: as coisas vão caminhando bem, você planeja, tudo acontece de modo rápido e aparentemente seguro. Você parece meio sem objetivo, vai indo com a maré, deixando o barco correr, mas procurando, lá adiante, realizar um sonho, ainda que modesto.

Ai vem Deus e muda as perguntas, para deixar você de cara no chão. O que faço agora? Mantenho o plano e sou tachada de egoísta e mesquinha, ou mudo tudo e fico esperando o que vai acontecer?

Sempre rola isso para eu ver que, por mais que eu queira controlar tudo, existe uma força maior que controla o que está a minha volta. É quando me pergunto: se me deu a oportunidade, é para eu ir. Ou será que está me testando para ver se consigo ficar?

Complexo, difícil e doloroso. Pelo menos reaprendi a chorar, algo que eu não fazia mais.

domingo, julho 30, 2017

Não para mim


As pessoas vivem me cobrando um relacionamento. Depois do último, insano e ridículo, decidi dar um tempo para mim mesma. Sou na minha, quieta, e cansei de tentar buscar algo que não se encaixa comigo. Não nasci para grandes amores, nem para grandes paixões. Já tive essa fase. Já me apaixonei, perdi o chão, o rumo, e ficaram as lembranças e feridas.

Mas, voltando ao presente, é cansativo quando todo mundo cobra por você estar sozinha. Se digo que estou bem, as pessoas acham que estou mentindo. "Mas é só encontrar alguém para se divertir". Sorry, não quero. Tenho meus métodos de diversão, e garanto que eles fazem mais efeito do que muitos homens que estão por aí.

É irritante quando as pessoas querem me arrumar namorado, marido, ficante. Tédio! Eu não estou procurando ninguém. Estou mega cansada de tentarem me fazer de coitadinha só porque sou solteira. E se estou sozinha, talvez seja uma opção minha. Será que dá para respeitar?

Fica todo mundo me olhando com aquela cara de 'ai, tadinha, tão legal, mas não tem ninguém'. Chega, Brasil. Estou bem a frente dessa coisa convencional de casamento e filhos. Respeito quem optou por isso, mas minha vida tem outro sentido.

Se um dia eu quiser casar e ter filhos, eu vou buscar isso de forma serena e tranquila. Se estou quieta no meu canto, me deixa. Relacionamento configurado século XX tipo 'achei meu grande amor e seremos felizes para sempre' não é minha história de vida.

Um dia o mundo vai perceber que não sou daqui. Que nasci a frente do meu tempo, que sou de outro planeta, e que para se encaixar comigo, tem que olhar para frente, e não para trás.

Relacionamento padrão não é para mim. Apenas peço que respeitem isso. Obrigada, de nada.

domingo, julho 23, 2017



O Sol em Leão



Em Leão afirma-se o poder individual, a força solar, a auto-expressão. Signo de liderança, criatividade, entusiasmo e afetividade expansiva. É o fogo em sua majestade e exuberância.

Regido pelo coração, tem como ensinamento espiritual ser "governado" pelo amor e generosidade. O leonino busca o reconhecimento, e devido a isso pode se expressar de forma firme, dramática ou arrogante, autoritária.

É regido pelo astro-rei Sol, o que confere brilho e criatividade. Evoca o desejo de admiração, respeito e de ser amado. Simboliza o arquétipo do rei, da nobreza.

Características: emoção, afeto, força criadora, poder, comando, generosidade, espontaneidade, autoconfiança, liderança, orgulho, vaidade, dramaticidade, ego inflado. Leão tem a tendência a ser o centro das atenções e esta particularidade pode expressar-se de forma positiva ou negativa. Simboliza "estar no palco", fazendo arte, com paixão, ou sendo dramático nas tramas da emoção...

quinta-feira, julho 20, 2017



Dia do Amigo


Lembro de assistir Top Gun com Cristiane Taveira e Ana Cristina Cunha. Lembro dos almoços no rodízio de massas com Simone Lecques. Das conversas intermináveis com Patricia Pappacena. De dividir pizzas e problemas com David Sales. Da Gisele Ribeiro Fujii levando um isopor de gelo e comida na minha casa quando eu tinha acabado de me mudar, não tinha geladeira e estava de molho com pneumonia (essa é uma das lembranças mais marcantes da minha vida, vale ressaltar).

Lembro dos almoços no Rio Sul com Giovanna Towns e Ana Paula Pinheiro Machado. Das brincadeiras com sotaque com Erlon Silva. Do buylling na faculdade, que graças a Alexandre Barbosa, Mariana Marques, Valéria de Fatima, Carla Menezes, Edson Natale, Camila Santos e Fábio Camargo foi apenas uma fase ruim que consegui deixar para trás.

Lembro do Clauber Trivoli e Roberto Pereira De Freitas deixando chocolate no meu computador depois do almoço, para ver se, assim, eu melhorava meu humor. Do passeio no Mercadão com Beto Venturi e Vamberto Leite de Araújo no almoço mais longo da história! Lembro da Dani Antunes enviando seu ticket refeição para eu ter o que comer em SP. E do Marco Ferreira me emprestando dinheiro para o ultrassom que detectou minhas pedras no rim.

Lembro da Parvati Lobato Auricchio e da Silvia Hömke B. Mackevicius segurando minha onda nos momentos em que dividir apartamento não era uma coisa legal. Lembro de estar longe e pedir ajuda da Angela Debellis e André Ricardo para saber notícias da família por aqui. Lembro da credencial em Cannes que todo mundo dizia que eu não conseguiria, mas que Elaine Guerini deu força para conseguir. E de Mariane Morisawa ensinando o caminho das pedras nos festivais.

Lembro das inúmeras pautas com Dulce Soares. Lembro de todos os almoços, papos, e inúmeros conselhos da Luiza Mesquita. tanta coisa que eu ficaria aqui horas escrevendo. Lembro de avisar que quem não foi citado não deve se sentir chateado: essas lembranças específicas de hoje (que não estão em ordem cronológica) vieram apenas porque dizem que eu mudei, só que eu continuo sendo a mesma pessoa.

Viagens e lugares não fazem de mim diferente. Fazem de mim uma pessoa melhor, mas a essência, essa não vai mudar nunca. Aos meus amigos, feliz dia. E gratidão eterna por estarem por perto quando eu precisei.

quarta-feira, julho 19, 2017

Homens na Cozinha



Lembro que meu pai não sabia nem fritar um ovo e se minha mãe, por qualquer motivo, não pudesse cozinhar, era um tal de frango na padaria e comida de pensão que não estava no gibi. E as cobranças em casa porque eu, aos 12 anos, ainda não sabia fazer nem arroz? "Você tem que aprender a cozinhar para poder casar."

Outra lembrança marcante: quando minha mãe me visitou em São Paulo pela primeira vez e descobriu que eu tinha fogão em casa - e cozinhava sim! Porque eu quero, não porque sou obrigada. E também não aprendi a cozinhar para casar!

Ai você vive o suficiente para ver o Rodrigo Hilbert quebrar a internet e virar o sonho de consumo da mulherada, só porque ele faz o que qualquer homem pode fazer - ah mas fazer coisa de mulher esbarra na masculinidade, né?

Affe. Neste caso eu sou a Glória Pires: não sou capaz de opinar por tanto auê para uma coisa que deveria ser inerente de qualquer pessoa, independente do sexo.

sexta-feira, julho 14, 2017

I am what I am


Inferno astral taí, e a gente vai fazendo as reflexões necessárias para o ano novo. Os 40 são os novos 30? Por que as pessoas continuam dizendo que eu devo tentar ser aquilo que não quero? Por que ainda precisamos tanto da aceitação alheia para seguir em frente?

A ladainha ao redor continua. "Mas Jana você é independente demais. Você é muito sincera. Você demonstra seus sentimentos. Você isso e aquilo..."

E olha que eu já melhorei pra caramba. Hoje em dia eu até dou segundas chances as pessoas que, um dia, já pisaram na bola comigo. Estou exercitando a incrível capacidade do perdão, que ainda é muito difícil para mim. Já a paciência, essa eu nunca tive mesmo.

Eu não estou aqui para agradar a ninguém. Fico feliz por ter muitos amigos e amigas que me aceitam como eu sou. Com esse monte de defeitos visíveis e algumas qualidades. Eu não sou perfeita. Se fazem de mim a imagem de pessoa certinha, é porque tenho caráter. Sou julgada diariamente pelas minhas escolhas. Por mudar de profissão, por ser discreta, por não ter filhos, por ser o que muita gente gostaria, mas simplesmente não tem coragem.

Já passei muitas coisas e, ao longo das décadas, pessoas entraram e saíram da minha vida. Aquelas que ficaram, que estão aqui, que dedicam um minuto de sua atenção a mim, terão sempre a minha gratidão. Sou grata pelas oportunidades e pelo respeito que alguns têm pelo simples fato de que não sou como a maioria. Nunca quis ser. E jamais serei.

Podem dizer que sou difícil, chata, autêntica, corajosa. Podem gostar ou não de mim. A minha essência nunca mudou: eu sei exatamente de onde vim e tudo que passei para estar aqui. E quem me conhece de verdade sabe muito bem que eu continua sendo a mesma pessoa de sempre.

O textão é só para dizer que não tentem mudar o outro. Tente mudar a si mesmo. Olha para o espelho e reconheça seus limites. Não queira o que o outro tem. Se sirvo de inspiração para muitos, fico feliz. Mas se tem gente que me olha com desprezo, ou acha que sou complicada, eu só lamento. Eu sou assim mesmo. Uma pessoa cheia de erros e acertos, que vive em paz com as escolhas que fiz.

E você, está em paz com suas escolhas?

quarta-feira, julho 05, 2017

Vida de Gado


A vida é complicada ou a gente que complica? Não sei dizer. Só sei que cansa ser forte, guerreira, lutar todos os dias pelo que acredito. Cansa tentar fazer algo digno e decente e vir alguém, do nada, destruir você, seu trabalho, sua história. Cansa pra caramba tentar ser honesta e íntegra, ética e correta.

Cansa amar sem ser amada. Cansa ajudar sem receber gratidão. Cansa tentar ser feliz com as pequenas coisas. Cansa ser quem eu sou.

Tenho essa vida de escrava dos meus medos e anseios; de labuta diária e sofrida com receio de perder o pouco que tenho; de lágrimas que caem nem sei porquê. Ah, como cansa viver.

domingo, julho 02, 2017

90 anos


Minha avó foi a pessoa mais autêntica que eu conheci. Aos 18 anos saiu (sozinha) de Itajubá, sul de Minas, para morar no Rio de Janeiro. No Rio, aos 20 anos, casou com um homem 23 anos mais velho, viúvo e pai de seis filhos. Um escândalo! Ficou viúva aos 28. Aos 42 namorava um cara de 27. Outro escândalo! Usava roupas coloridas, pintava as unhas de vermelho, nunca quis casar de novo, morava sozinha. Viajava sozinha também. Adorava comer em restaurantes - ela detestava cozinhar, mas lembro até hoje do seu macarrão com frango e do pastel de camarão que só ela sabia fazer. Escrevia muito bem, pintava quadros, fazia tricô, crochê e bordado.

Na minha infância era ela quem contava histórias para eu dormir. E desenhava, enquanto contava as histórias. Ela me deu meu primeiro livro - Histórias de Dona Benta, do Monteiro Lobato. Leitora voraz, me emprestou, aos 12 anos, A Rosa do Povo, do Drummond, de quem ela era muito fã. Deixou para mim toda a sua coleção de clássicos da literatura, incluindo Os Miseráveis e O Morro dos Ventos Uivantes, os seus livros preferidos.

Adorava Carnaval, frevo, forró e samba. Desfilou na Ala das Baianas da Imperatriz Leopoldinense. Era flamenguista (todo mundo tem defeitos!) e bebia pra caramba. Quem me conhece bem sabe o quanto ela era importante para mim. Ainda é. Sempre será.

Vovó Lenira era loira de olhos verdes. Os mais lindos olhos que já vi. Para os outros era meio rebelde, desaforada, teimosa. Ela era, mas para mim também era autêntica. Uma pessoa única.

Se fosse viva faria 90 anos no dia 2 de julho. Canceriana que trazia a família em rédea curta. Morreu antes de saber das minhas pequenas conquistas pessoais e profissionais. Morreu porque, como ela mesma dizia, preferia morrer a depender dos outros. Morreu porque chegou a sua hora. Mas deixou essa saudade imensa, que sinto sempre que vejo alguma coisa que me lembra ela. E são muitas coisas. Se eu pudesse dizer alguma coisa para ela hoje, diria apenas obrigada. Obrigada por ter sido essa influência iluminada na minha vida, e por me fazer acreditar que uma mulher pode tudo, mesmo que o mundo diga o contrário.

quarta-feira, junho 28, 2017

À Deriva

Já faz algum tempo que sinto minha vida à deriva. É meio assim: tanto faz, como tanto fez. Se tá bom tá bom, se tá ruim, tá ruim. Falta um objetivo, um foco.

Eu vivo os dias como 'apenas mais um dia'. Nada de novo acontece. É o trabalho, é a academia, é a ioga que me faz bem. Não há uma razão, de fato, para viver. Não há beleza, não há humor, não há luz. Há apenas a vida, que está aqui e eu vivo. Ou sobrevivo.

Fazendo acupuntura depois de muito tempo, fui buscar mesmo ajuda para os problemas emocionais. Para essa falta de ânimo, essa ansiedade sem fim, esse estresse que não acaba. Esse meu descontrole, quase um desespero. Essa falta de nem sei o que. E, principalmente, esse mal estar que não passa: o sono que não vem, o pensamento que não aquieta, as dores que brotam, o medo que exala, a tristeza que me abate, a insegurança que me rodeia.

Não sei explicar o que acontece. Tento pensar em coisas boas, e fazer coisas que me deixem felizes, mas sempre vem um acontecimento externo para me afundar. Tem sempre algo (ou alguém) azucrinando minha cabeça. Aí eu perco a paciência, perco o rumo, perco a vontade e perco a força. Não consigo me sentir em paz, não consigo me sentir bem. Mesmo que eu esteja longe, os problemas me seguem. Não tenho sossego.

Sinto meu corpo no limite. Sinto que vou cair, e quando cair, não terei forças para me levantar. Sinto-me no fundo do poço, mesmo sem motivo grave para isso. Mas, o pior de tudo, é esse peso do mundo nas minhas costas. Essa coisa que me arrasta pro chão, que me traz uma fadiga que não me pertence. Mas que está em mim.

O corpo, claro, já mostra sinais de desespero. Dói aqui, entope o nariz ali, fecha a garganta lá. E eu, ao invés de simplificar as coisas, de dizer apenas sim e não, de evitar me explicar demais, continuo tentando controlar tudo. E eu não tenho o controle sobre nada. E isso, provavelmente, é o que mais me incomoda.

Eu me sinto à deriva mas não quero estar assim. Quando, na verdade, precisava estar entregue a emoções e sentimentos para que essa sobrecarga me aliviasse um pouco. Eu sou grata por tudo que tenho e tive, mas ao mesmo tempo eu estou me sentindo tão vazia e só. E não sei onde isso vai parar. E tenho medo de onde esse momento confuso vai me deixar.

Tenho medo. Insegurança. Falta de confiança em mim mesma. Tenho essa tristeza que não acaba, e nem todas as lágrimas do mundo dão fim a esse desalento.

segunda-feira, junho 26, 2017

A justiça como lhe convém


A Justiça (?) brasileira concedeu prisão domiciliar ao médico Roger Abdelmasshih, condenado a 181 anos de prisão por estuprar 37 pacientes. Especialista em reprodução humana, ele molestava as mulheres desde os anos 1990, mas só em 2006 foi acusado por uma ex-funcionária. Condenado em 2010, teve habeas corpus concedido por quem? Gilmar Mendes. Pois é. Fugiu, foi preso de novo, teve pena reduzida e agora, com menos de três anos na prisão, já está em sua mansão com tornozeleira eletrônica.
A pergunta que não quer calar: existe realmente Justiça nesse país? Eu, sinceramente, acho que precisamos rever nossos valores, porque do jeito que está, não pode ficar.
Minha solidariedade a todas as vítimas. E minha indignação a essa Justiça cega, que só condena a quem lhe convém.

Para saber mais do assunto, leiam aqui.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?