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domingo, julho 23, 2017



O Sol em Leão



Em Leão afirma-se o poder individual, a força solar, a auto-expressão. Signo de liderança, criatividade, entusiasmo e afetividade expansiva. É o fogo em sua majestade e exuberância.

Regido pelo coração, tem como ensinamento espiritual ser "governado" pelo amor e generosidade. O leonino busca o reconhecimento, e devido a isso pode se expressar de forma firme, dramática ou arrogante, autoritária.

É regido pelo astro-rei Sol, o que confere brilho e criatividade. Evoca o desejo de admiração, respeito e de ser amado. Simboliza o arquétipo do rei, da nobreza.

Características: emoção, afeto, força criadora, poder, comando, generosidade, espontaneidade, autoconfiança, liderança, orgulho, vaidade, dramaticidade, ego inflado. Leão tem a tendência a ser o centro das atenções e esta particularidade pode expressar-se de forma positiva ou negativa. Simboliza "estar no palco", fazendo arte, com paixão, ou sendo dramático nas tramas da emoção...

quinta-feira, julho 20, 2017



Dia do Amigo


Lembro de assistir Top Gun com Cristiane Taveira e Ana Cristina Cunha. Lembro dos almoços no rodízio de massas com Simone Lecques. Das conversas intermináveis com Patricia Pappacena. De dividir pizzas e problemas com David Sales. Da Gisele Ribeiro Fujii levando um isopor de gelo e comida na minha casa quando eu tinha acabado de me mudar, não tinha geladeira e estava de molho com pneumonia (essa é uma das lembranças mais marcantes da minha vida, vale ressaltar).

Lembro dos almoços no Rio Sul com Giovanna Towns e Ana Paula Pinheiro Machado. Das brincadeiras com sotaque com Erlon Silva. Do buylling na faculdade, que graças a Alexandre Barbosa, Mariana Marques, Valéria de Fatima, Carla Menezes, Edson Natale, Camila Santos e Fábio Camargo foi apenas uma fase ruim que consegui deixar para trás.

Lembro do Clauber Trivoli e Roberto Pereira De Freitas deixando chocolate no meu computador depois do almoço, para ver se, assim, eu melhorava meu humor. Do passeio no Mercadão com Beto Venturi e Vamberto Leite de Araújo no almoço mais longo da história! Lembro da Dani Antunes enviando seu ticket refeição para eu ter o que comer em SP. E do Marco Ferreira me emprestando dinheiro para o ultrassom que detectou minhas pedras no rim.

Lembro da Parvati Lobato Auricchio e da Silvia Hömke B. Mackevicius segurando minha onda nos momentos em que dividir apartamento não era uma coisa legal. Lembro de estar longe e pedir ajuda da Angela Debellis e André Ricardo para saber notícias da família por aqui. Lembro da credencial em Cannes que todo mundo dizia que eu não conseguiria, mas que Elaine Guerini deu força para conseguir. E de Mariane Morisawa ensinando o caminho das pedras nos festivais.

Lembro das inúmeras pautas com Dulce Soares. Lembro de todos os almoços, papos, e inúmeros conselhos da Luiza Mesquita. tanta coisa que eu ficaria aqui horas escrevendo. Lembro de avisar que quem não foi citado não deve se sentir chateado: essas lembranças específicas de hoje (que não estão em ordem cronológica) vieram apenas porque dizem que eu mudei, só que eu continuo sendo a mesma pessoa.

Viagens e lugares não fazem de mim diferente. Fazem de mim uma pessoa melhor, mas a essência, essa não vai mudar nunca. Aos meus amigos, feliz dia. E gratidão eterna por estarem por perto quando eu precisei.

quarta-feira, julho 19, 2017

Homens na Cozinha



Lembro que meu pai não sabia nem fritar um ovo e se minha mãe, por qualquer motivo, não pudesse cozinhar, era um tal de frango na padaria e comida de pensão que não estava no gibi. E as cobranças em casa porque eu, aos 12 anos, ainda não sabia fazer nem arroz? "Você tem que aprender a cozinhar para poder casar."

Outra lembrança marcante: quando minha mãe me visitou em São Paulo pela primeira vez e descobriu que eu tinha fogão em casa - e cozinhava sim! Porque eu quero, não porque sou obrigada. E também não aprendi a cozinhar para casar!

Ai você vive o suficiente para ver o Rodrigo Hilbert quebrar a internet e virar o sonho de consumo da mulherada, só porque ele faz o que qualquer homem pode fazer - ah mas fazer coisa de mulher esbarra na masculinidade, né?

Affe. Neste caso eu sou a Glória Pires: não sou capaz de opinar por tanto auê para uma coisa que deveria ser inerente de qualquer pessoa, independente do sexo.

sexta-feira, julho 14, 2017

I am what I am


Inferno astral taí, e a gente vai fazendo as reflexões necessárias para o ano novo. Os 40 são os novos 30? Por que as pessoas continuam dizendo que eu devo tentar ser aquilo que não quero? Por que ainda precisamos tanto da aceitação alheia para seguir em frente?

A ladainha ao redor continua. "Mas Jana você é independente demais. Você é muito sincera. Você demonstra seus sentimentos. Você isso e aquilo..."

E olha que eu já melhorei pra caramba. Hoje em dia eu até dou segundas chances as pessoas que, um dia, já pisaram na bola comigo. Estou exercitando a incrível capacidade do perdão, que ainda é muito difícil para mim. Já a paciência, essa eu nunca tive mesmo.

Eu não estou aqui para agradar a ninguém. Fico feliz por ter muitos amigos e amigas que me aceitam como eu sou. Com esse monte de defeitos visíveis e algumas qualidades. Eu não sou perfeita. Se fazem de mim a imagem de pessoa certinha, é porque tenho caráter. Sou julgada diariamente pelas minhas escolhas. Por mudar de profissão, por ser discreta, por não ter filhos, por ser o que muita gente gostaria, mas simplesmente não tem coragem.

Já passei muitas coisas e, ao longo das décadas, pessoas entraram e saíram da minha vida. Aquelas que ficaram, que estão aqui, que dedicam um minuto de sua atenção a mim, terão sempre a minha gratidão. Sou grata pelas oportunidades e pelo respeito que alguns têm pelo simples fato de que não sou como a maioria. Nunca quis ser. E jamais serei.

Podem dizer que sou difícil, chata, autêntica, corajosa. Podem gostar ou não de mim. A minha essência nunca mudou: eu sei exatamente de onde vim e tudo que passei para estar aqui. E quem me conhece de verdade sabe muito bem que eu continua sendo a mesma pessoa de sempre.

O textão é só para dizer que não tentem mudar o outro. Tente mudar a si mesmo. Olha para o espelho e reconheça seus limites. Não queira o que o outro tem. Se sirvo de inspiração para muitos, fico feliz. Mas se tem gente que me olha com desprezo, ou acha que sou complicada, eu só lamento. Eu sou assim mesmo. Uma pessoa cheia de erros e acertos, que vive em paz com as escolhas que fiz.

E você, está em paz com suas escolhas?

quarta-feira, julho 05, 2017

Vida de Gado


A vida é complicada ou a gente que complica? Não sei dizer. Só sei que cansa ser forte, guerreira, lutar todos os dias pelo que acredito. Cansa tentar fazer algo digno e decente e vir alguém, do nada, destruir você, seu trabalho, sua história. Cansa pra caramba tentar ser honesta e íntegra, ética e correta.

Cansa amar sem ser amada. Cansa ajudar sem receber gratidão. Cansa tentar ser feliz com as pequenas coisas. Cansa ser quem eu sou.

Tenho essa vida de escrava dos meus medos e anseios; de labuta diária e sofrida com receio de perder o pouco que tenho; de lágrimas que caem nem sei porquê. Ah, como cansa viver.

domingo, julho 02, 2017

90 anos


Minha avó foi a pessoa mais autêntica que eu conheci. Aos 18 anos saiu (sozinha) de Itajubá, sul de Minas, para morar no Rio de Janeiro. No Rio, aos 20 anos, casou com um homem 23 anos mais velho, viúvo e pai de seis filhos. Um escândalo! Ficou viúva aos 28. Aos 42 namorava um cara de 27. Outro escândalo! Usava roupas coloridas, pintava as unhas de vermelho, nunca quis casar de novo, morava sozinha. Viajava sozinha também. Adorava comer em restaurantes - ela detestava cozinhar, mas lembro até hoje do seu macarrão com frango e do pastel de camarão que só ela sabia fazer. Escrevia muito bem, pintava quadros, fazia tricô, crochê e bordado.

Na minha infância era ela quem contava histórias para eu dormir. E desenhava, enquanto contava as histórias. Ela me deu meu primeiro livro - Histórias de Dona Benta, do Monteiro Lobato. Leitora voraz, me emprestou, aos 12 anos, A Rosa do Povo, do Drummond, de quem ela era muito fã. Deixou para mim toda a sua coleção de clássicos da literatura, incluindo Os Miseráveis e O Morro dos Ventos Uivantes, os seus livros preferidos.

Adorava Carnaval, frevo, forró e samba. Desfilou na Ala das Baianas da Imperatriz Leopoldinense. Era flamenguista (todo mundo tem defeitos!) e bebia pra caramba. Quem me conhece bem sabe o quanto ela era importante para mim. Ainda é. Sempre será.

Vovó Lenira era loira de olhos verdes. Os mais lindos olhos que já vi. Para os outros era meio rebelde, desaforada, teimosa. Ela era, mas para mim também era autêntica. Uma pessoa única.

Se fosse viva faria 90 anos no dia 2 de julho. Canceriana que trazia a família em rédea curta. Morreu antes de saber das minhas pequenas conquistas pessoais e profissionais. Morreu porque, como ela mesma dizia, preferia morrer a depender dos outros. Morreu porque chegou a sua hora. Mas deixou essa saudade imensa, que sinto sempre que vejo alguma coisa que me lembra ela. E são muitas coisas. Se eu pudesse dizer alguma coisa para ela hoje, diria apenas obrigada. Obrigada por ter sido essa influência iluminada na minha vida, e por me fazer acreditar que uma mulher pode tudo, mesmo que o mundo diga o contrário.

quarta-feira, junho 28, 2017

À Deriva

Já faz algum tempo que sinto minha vida à deriva. É meio assim: tanto faz, como tanto fez. Se tá bom tá bom, se tá ruim, tá ruim. Falta um objetivo, um foco.

Eu vivo os dias como 'apenas mais um dia'. Nada de novo acontece. É o trabalho, é a academia, é a ioga que me faz bem. Não há uma razão, de fato, para viver. Não há beleza, não há humor, não há luz. Há apenas a vida, que está aqui e eu vivo. Ou sobrevivo.

Fazendo acupuntura depois de muito tempo, fui buscar mesmo ajuda para os problemas emocionais. Para essa falta de ânimo, essa ansiedade sem fim, esse estresse que não acaba. Esse meu descontrole, quase um desespero. Essa falta de nem sei o que. E, principalmente, esse mal estar que não passa: o sono que não vem, o pensamento que não aquieta, as dores que brotam, o medo que exala, a tristeza que me abate, a insegurança que me rodeia.

Não sei explicar o que acontece. Tento pensar em coisas boas, e fazer coisas que me deixem felizes, mas sempre vem um acontecimento externo para me afundar. Tem sempre algo (ou alguém) azucrinando minha cabeça. Aí eu perco a paciência, perco o rumo, perco a vontade e perco a força. Não consigo me sentir em paz, não consigo me sentir bem. Mesmo que eu esteja longe, os problemas me seguem. Não tenho sossego.

Sinto meu corpo no limite. Sinto que vou cair, e quando cair, não terei forças para me levantar. Sinto-me no fundo do poço, mesmo sem motivo grave para isso. Mas, o pior de tudo, é esse peso do mundo nas minhas costas. Essa coisa que me arrasta pro chão, que me traz uma fadiga que não me pertence. Mas que está em mim.

O corpo, claro, já mostra sinais de desespero. Dói aqui, entope o nariz ali, fecha a garganta lá. E eu, ao invés de simplificar as coisas, de dizer apenas sim e não, de evitar me explicar demais, continuo tentando controlar tudo. E eu não tenho o controle sobre nada. E isso, provavelmente, é o que mais me incomoda.

Eu me sinto à deriva mas não quero estar assim. Quando, na verdade, precisava estar entregue a emoções e sentimentos para que essa sobrecarga me aliviasse um pouco. Eu sou grata por tudo que tenho e tive, mas ao mesmo tempo eu estou me sentindo tão vazia e só. E não sei onde isso vai parar. E tenho medo de onde esse momento confuso vai me deixar.

Tenho medo. Insegurança. Falta de confiança em mim mesma. Tenho essa tristeza que não acaba, e nem todas as lágrimas do mundo dão fim a esse desalento.

segunda-feira, junho 26, 2017

A justiça como lhe convém


A Justiça (?) brasileira concedeu prisão domiciliar ao médico Roger Abdelmasshih, condenado a 181 anos de prisão por estuprar 37 pacientes. Especialista em reprodução humana, ele molestava as mulheres desde os anos 1990, mas só em 2006 foi acusado por uma ex-funcionária. Condenado em 2010, teve habeas corpus concedido por quem? Gilmar Mendes. Pois é. Fugiu, foi preso de novo, teve pena reduzida e agora, com menos de três anos na prisão, já está em sua mansão com tornozeleira eletrônica.
A pergunta que não quer calar: existe realmente Justiça nesse país? Eu, sinceramente, acho que precisamos rever nossos valores, porque do jeito que está, não pode ficar.
Minha solidariedade a todas as vítimas. E minha indignação a essa Justiça cega, que só condena a quem lhe convém.

Para saber mais do assunto, leiam aqui.

quinta-feira, junho 22, 2017

Crespa


Quem me conhece desde o Rio sabe que eu adorava fazer escova no cabelo no dia do meu aniversário. Uma vez, em um salão perto da casa da minha mãe, o cabeleireiro disse que era impossível fazer escova no meu cabelo. "Seu cabelo é muito ruim", falou o cara, com desdém. Indignada, fui em um salão na Rua Santa Luzia, no Centro, perto de onde eu trabalhava, e fiz a melhor escova da minha vida.
Essa é só uma das histórias que tenho para contar sobre ter cabelo crespo/cacheado. O preconceito é visível aos olhos. Já não faço escova, porque não curto mais. Porém, quando era moda o alisamento japonês e todas as minhas amigas cobravam isso de mim, só uma se manteve fiel aos cachos junto comigo. Danny Reis, minha querida amiga que divide vários inboxs sobre onde e como cortar nossos cabelos. Porque, sei lá, o Brasil é um país de gente de cabelo liso e escorrido. Até parece.
Para concluir o textão, sempre que me perguntam 'você nunca pensou em fazer jornalismo na TV' minha resposta é a mesma: "Não vou alisar meu cabelo para aparecer na TV". Maju e Zineide, sobreviventes, mas cadê a juba da Fátima Bernardes, né? Se a pessoa alisa o cabelo e é feliz com isso, que bom. Mas não sou obrigada. Não quero. Não vou fazer. E sim, o texto no link diz muito sobre essa sina de ter 'cabelo ruim'. Já passei por tudo aquilo. Com o tempo, muitos cremes e bons profissionais consegui dar um jeito de olhar a minha cara e gostar dos meus cachos. Aí o agradecimento é para Kelly Casarin que me indicou um ótimo profissional em SP que revolucionou minha vida. Depois disso, nunca mais escova. Aqui está o texto que mostra todo o preconceito com os cabelos 'fora do padrão'. Leiam e vamos aprender que a dona do cabelo merece que ele seja respeitado como é. 



segunda-feira, junho 19, 2017

Viaje sozinho você também


Impressionante como brasileiro não consegue se acostumar com pessoas que viajam sozinhas. Não querem saber se é por trabalho ou diversão: olham pra gente com aquela cara de 'ai, coitadinha, tá sozinha'. Um horror. Se o viajante desacompanhado for mulher, piora tudo. A rejeitadona. Affe.
E os restaurantes que só têm cardápio para dois? Um horror parte 2. Então os casais e pessoas que viajam em dupla precisam, obrigatoriamente, comer a mesma coisa? Então não existe ninguém que viaje sozinho?
Infelizmente não é um privilégio de brasileiros - já passei por situações constrangedoras na Itália. Mesmo que na Europa muita gente viaje sozinha, fui convidada a sair de mesa com vista para o canal de Veneza porque estava só - a vista era permitida apenas para dois. Também já tive problemas em Verona por entrar num restaurante sozinha. No resto do mundo, ainda bem, sempre fui bem recebida, sozinha ou acompanhada.
O mundo tá pouco evoluído pro meu gosto mas, sem dúvida, há lugares piores que os outros. E uma dica: viaje sozinho pelo menos uma vez na vida. É a experiência mais gratificante que existe, pena que as pessoas ainda têm a mente muito fechada para isso. 

segunda-feira, junho 12, 2017

Olhos nos Olhos

(Chico Buarque)


Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando
Me pego cantando
Sem mais nem porquê
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você

Quando talvez precisar de mim
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos, quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz

quarta-feira, junho 07, 2017

Saúde

(Rita Lee)



Me cansei de lero-lero
Dá licença, mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar opiniões
De como ter um mundo melhor

Mas ninguém sai de cima, nesse chove-não-molha
Eu sei que agora eu vou é cuidar mais de mim

Como vai? Tudo bem
Apesar, contudo, todavia, mas, porém
As águas vão rolar, não vou chorar
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais

Mas enquanto estou viva e cheia de graça
Talvez ainda faça um monte de gente feliz

Como vai? Tudo bem
Apesar, contudo, todavia, mas, porém
As águas vão rolar, não vou chorar, não!
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais

Mas enquanto estou viva e cheia de graça
Talvez ainda faça um monte de gente feliz

sábado, maio 20, 2017

É isso


"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana." (Carl Jung)

quarta-feira, maio 10, 2017

Maternidade


Uma vez me disseram que eu seria incompleta caso não fosse mãe. As palavras vieram de uma grande amiga, obcecada pela maternidade. Achei cruel e desnecessário o comentário. Se uma mulher quer ter filhos, não significa que todas as outras devam fazer o mesmo.

Lá se vão 20 anos desse comentário e, sinto dizer, não me sinto incompleta por não ser mãe. Acho que um filho deve ser fruto de uma união saudável em que os dois queiram ser pais. O que mais vejo são mulheres tendo filhos e dizendo 'agora sim sou feliz' ou 'só depois de ser mãe descobri a felicidade plena'. Oi? Naturalmente ser mãe é um momento único para a mulher, mas dizer que a felicidade está relacionada apenas a isso é dar à criança um peso que ela não precisa carregar.

As pessoas reclamam do machismo, dos seres misóginos, mas esquecemos que a maior parte dos homens do mundo foram criados por mulheres - ou pelo menos saíram do ventre delas. Portanto, quem corrobora para tanto machismo é a própria mulher. Afinal, uma pessoa que acredita que só será feliz se for mãe, ou que a felicidade só é plena concebendo um filho, tem algo equivocado em sua vida.

Vejo um certo desespero em mulheres que passam dos 30 e veem o relógio biológico acelerar. Elas querem a qualquer custo encontrar um parceiro, porque sabem que procriar não será para sempre. Curioso é que não conheço nenhum homem com tanta necessidade de ser pai. Os homens sempre agem mais naturalmente ao ciclo da vida, enquanto a mulher carrega ainda esse peso de 'ser mãe é obrigatório'.

Quando eu era criança, ouvia minha mãe e minha avó falarem que mulher que não tem filho é 'figueira do inferno'. Achava a expressão horrível. Nunca pensei em casamento, muito menos em ter filhos; sempre foquei na minha vida profissional e, talvez, um dia, me arrependa disso. Mas esse dia ainda não é hoje.

No entanto, nada disso me impede de ser mãe. Posso ser mãe sim, o dia que eu quiser, adotando uma criança. Esse negócio de que 'filho tem que sair do próprio ventre' é ridículo: mãe (e pai) é aquele que cria, que educa, que dá ao seu filho o amor e exemplo de vida. Ter um filho só para agradar a sociedade ou satisfazer o próprio ego é uma aberração.

Acho péssimo quando as mulheres associam sua própria felicidade ao fato de ser mãe. O filho já vem ao mundo com aquela carga de que precisa fazer o outro feliz. Não, minha gente: a nossa felicidade depende de cada um de nós, e jamais deve ser colocada nas mãos do outro. Você não pode ser feliz apenas porque é mãe, ou conseguiu tal emprego, ou comprou sua casa. Você deve ser feliz por tudo isso, e não apenas por isso!

São essas coisas que me provam que não pertenço a esse mundo; acho que sou evoluída demais para conviver com gente que ainda acha que só será feliz se conseguir isso e aquilo. E, sinceramente, tenho pena dos filhos que nascem com essa carga emocional totalmente equivocada, e vão crescer sob os holofotes da mãe super protetora, que não conseguiu ser feliz sozinha e precisou dele para encontrar aquilo que ela acha que é felicidade. Boa sorte para essas crianças!



sexta-feira, maio 05, 2017

O mundo é um moinho

Cartola


Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés

sexta-feira, abril 28, 2017

Flor de Lis
Djavan
 

Valei-me, Deus
É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei
Que amei, que amei, que amei

Será talvez
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força
Pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis

E foi assim que eu vi
Nosso amor na poeira, poeira
Morto na beleza fria de Maria

E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu



sábado, abril 22, 2017

Ir


“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. (Amir Klink)

quinta-feira, março 30, 2017

Envelhecer


Você sabe que a idade chegou, mas é muito difícil admitir. Olhar para a minha cara e falae 'você não aparenta a idade que tem' não significa muito para mim. Envelhecer é complicado. Sinto meu corpo morrendo todos os dias, e coisas que antes eu fazia sem problemas agora parecem muito mais distantes.

A vida muda de ângulo e de perspectiva. O que estava embaixo do meu nariz já não é mais para ser visto; as coisas são muito mais nebulosas e turvas. Tudo parece diferente e inseguro e o mundo ganha outros contornos.

Não sei se um dia vou me arrepender do que fiz; por enquanto estou arrependida do que não fiz. O tempo, muito cruel, tomou meu olhar, minha força e minha alegria. Só não quero que tome a esperança que ainda resta em mim.

quarta-feira, março 22, 2017

Nasci para fazer ioga


Quando eu era mais nova, e alguém me dizia 'você devia fazer ioga', eu respondia: 'Não sou zen. Prefiro boxe.'
Mas o corpo envelhece, e o tempo faz a gente ter uma outra perspectiva da vida. Com a inspiração da minha querida amiga Simone, fui praticar ioga para tentar diminuir o estresse e a ansiedade.
Para minha surpresa, consegui recuperar meu joelho, até então considerado uma causa perdida por vários ortopedistas. Além disso, descobri que sou muito mais ágil e forte fisicamente do que imaginava.
O boxe? Ainda quero fazer. Mas a ioga se tornou parte fundamental da minha vida, a única coisa capaz de me tirar o cansaço de um dia complicado ou de uma noite mal dormida. Nunca é tarde para mudar nossa rotina. Aliás, nunca é tarde para mudar nada nas nossas vidas. É só uma questão de querer, ir lá e fazer.
Simples assim.

quinta-feira, março 16, 2017

Tristeza


Sinto-em morrendo aos poucos, por dentro. Não sei se é TPM ou apenas tristeza. Não sei se perdi a esperança ou finalmente encarei a realidade: nada, nunca, será como eu quero.

Não posso mudar os outros, apenas a mim mesma. Posso tentar tornar o mundo ao meu redor menor, e também posso sofrer menos em relação a tudo que me cerca. Mas não consigo ficar apenas na minha; sempre acabo me envolvendo e sofrendo.

Eu achei que tinha esquecido como era chorar. Na verdade, hoje em dia choro pouco. Mas às vezes é preciso deixar as lágrimas caírem - e esse momento, agora, é muito necessário. Nem sei porque choro. Talvez seja uma mistura de tristeza e mágoa. Talvez seja um mau pressentimento que me nego a admitir. Talvez seja apenas um cansaço imenso da vida.

Tristeza não tem fim, felicidade sim. A música nunca esteve tão certa. E felicidade, de fato, eu já não lembro mais como é.

segunda-feira, março 13, 2017

Mudanças


“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente; é o que melhor se adapta às mudanças.” (Charles Darwin)

quarta-feira, março 08, 2017

Sobre hoje e sobre as mulheres


No Dia Internacional da Mulher, vale a pena lembrar dados recentes sobre a situação da mulher brasileira.
-Dos 4.762 homicídios de mulheres registrados em 2013, 50,3% foram cometidos por familiares, sendo a maioria desses crimes (33,2%) cometidos por parceiros ou ex-parceiros.
- Em 2013 foram registrados 50.320 estupros no Brasil.
- O Mapa da Violência 2015 mostra que o número de mortes violentas de mulheres negras aumentou 54% em dez anos.
- Duas em cada três pessoas atendidas no SUS em razão de violência doméstica ou sexual são mulheres.
- Seis em cada 10 brasileiros conhecem alguma mulher que foi vítima de violência doméstica.
- Cinco mulheres são espancadas a cada dois minutos no país.
- Uma em cada cinco mulheres considera já ter sofrido alguma vez “algum tipo de violência por parte de algum homem, conhecido ou desconhecido”.
- O parceiro (marido ou namorado) é o responsável por mais de 80% dos casos reportados.
O dia que as pessoas entenderem que este não é um dia de comemoração, mas um dia de luta, talvez, quem sabe, a gente realmente melhore a situação alarmante das mulheres brasileiras. #Nãoqueroflores

segunda-feira, março 06, 2017

Mulheres


Enquanto existir uma mulher no mundo que é agredida por seu marido/companheiro; enquanto existir uma mulher no mundo que faz o mesmo trabalho que um homem e ganha menos que ele; enquanto existir uma mulher no mundo que tem seu talento questionado apenas porque é mulher; enquanto existir uma única mulher nesse mundo que não seja devidamente respeitada como ser humano, o Dia Internacional da Mulher não será uma data para se comemorar. Então hoje é bom lembrar que nós, mulheres, continuamos lutando por igualdade e respeito.

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Observando


Muitas vezes a gente acha que a pessoa é amigo. Mas, na real, apenas você é amigo. Apenas você se importa. Apenas você procura. Eu fico só observando. Comportamento, jeito, palavras, atitudes. Observo e procuro não julgar, mas sou humana e, sim, me ofendo também.

Não adianta vir como se nada tivesse acontecido. Ou vir sorrateiramente como se nada tivesse mudado. Eu tenho cansaço de gente assim, que só aparece quando lhe convém, ou que finge que está tudo bem. Não aguento hipocrisia.

De hipócritas o mundo está cheio. O meu mundo, no entanto, eu quero eles bem longe de mim.

terça-feira, fevereiro 07, 2017

Mudar


“A única constante é a mudança”. ( Heráclito de Éfeso)

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